De repente, o guitarrista encontrou a solução para a apresentação ao vivo do repertório de covers, feitos com instrumentação sui generis, para o qual o próprio Pato Fu nega a pecha de infantil. Superfã do The Muppet show (1976-1981), o clássico infantojuvenil de TV, no Brasil exibido pela TV Globo, em boa hora John Ulhoa lembrou-se dos amigos marionetistas do Giramundo, aos quais a banda já havia recorrido no show de lançamento de Rotomusic de liquidificapum, disco de estreia, de 1993. Se naquela época o grupo de Álvaro Apocalypse (1937-2003) encontrou no próprio repertório os bonecos que participariam da apresentação, agora Ulisses Tavares, Marcos Malafaia e Beatriz Apocalypse – além do convidado-curinga Raimundo Bento, que, já na estreia, substitui Ulisses, ausente da cidade – tiveram de construir os bonecos-monstros que farão as cenas e as vozes infantis.
OS BONECOS Trata-se de Ziglo, assim batizado por Gabriel, de 4 anos, filho de Beatriz e neto do mago dos bonecos, Álvaro Apocalypse, e Groco, cujo batismo foi dado pelo próprio John Ulhoa. A técnica utilizada na construção dos bonecos é a chamada hand puppet (marionete), a mesma dos Muppets originais. Com cerca de 60cm de altura, eles são feitos em um corte visual (construídos da barriga para cima, com a cabeça maior do que a do ser humano). “Eles trabalham acima dos marionetistas”, esclarece Ulisses Tavares, explicando a dificuldade da posição dos manipuladores. “Estamos na banda e cantando”, comemora Ulisses Tavares, salientando que os marionetistas fazem som de guia, para não atrapalhar a banda. “É tudo muito divertido. O Pato Fu é um grupo bem-humorado”, conclui ele.
A vocalista Fernanda Takai conta que o grande laboratório da banda para chegar ao show foram os dois dias de ensaio que antecederam a pré-estreia no Rio. “A plateia era formada por amigos e parentes e todos se mostraram surpresos”, comemora ela. O material utilizado para a construção dos bonecos foi espuma, pano, pelúcia e borracha não tóxica EVA (mistura de etil, vinil e acetato), muito aplicada em atividades artesanais. A intenção, de acordo com Ulisses, é ampliar o número de bonecos em cena, à medida que a turnê for atingindo todas as regiões do país.
AO VIVO É DIFERENTE
No palco, o Pato Fu decidiu usar apenas os instrumentos de brinquedo mais afinados. “No estúdio, uma nota resolve. Ao vivo é diferente, só usando os instrumentos mais tocáveis”, explica o guitarrista John Ulhoa. Ele conta que, depois da experiência da gravação do CD, ele praticamente se viciou em procurar novos instrumentos de brinquedo. “Descobri e levei para o show umas galinhas de plástico, que, quando apertadas, fazem um som muito engraçado.” Mas foi o pianinho da filha Nina o mais importante. “Ele é o centro. Com ele consigo fazer as bases. Apesar das características de um brinquedo, é como se estivesse com um piano de verdade ou um violão”, compara, salientando que outros instrumentos dificilmente permitiriam o mesmo.
As pérolas do repertório, que vão dos anos 1950 aos 1990, são todas muito especiais para Fernanda Takai. “A maior parte foi sugestão minha”, diz, lembrando que o baterista Xande Tamietti foi responsável pela inclusão do hit My girl, além do baixista Ricardo Koctus, superfã de Elvis Presley, ter sugerido Love me tender. Em pesquisas recentes, Takai ficou feliz de descobrir que o sucesso de Elvis é a canção de ninar mais famosa do mundo. A participação da filha Nina, restrita ao disco, não significa que ela vá seguir a carreira dos pais. Para a mãe, é legal o registro da voz aos 6 anos. “Vai ser uma recordação e tanto para Nina.” Na opinião da cantora, seria tendencioso levar a filha para a turnê do disco. “Foi apenas uma brincadeira de estúdio”, avalia.
John Ulhoa acredita que o show será ideal para os pais que gostam da banda apresentem aos filhos uma sonoridade tão especial, feita a partir dos instrumentos de brinquedo (flauta, xilofone, kalimba e escaleta) ligados à musicalização infantil. Há também um cavaquinho utilizado como violão folk e como baixo. Além do piano de brinquedo, que se tornou a estrela do disco, o glockenspiel de latão e o okazoo de plástico brilharam. “Todos têm conceito estético muito potentes”, constata o guitarrtista, ressaltando o fato de a experiência da banda estar despertando intensa discussão sobre os timbres dos instrumentos, principalmente no meio musical. Este e outros detalhes (como o horário das apresentações) são intencionais. O Pato Fu quer atrair adultos e crianças de todas as idades para a sua música, inspirada e experimental ao mesmo tempo.
O QUE ELES CANTAM
- De Música de brinquedo
- Primavera (Vai chuva)
- Sonífera ilha
- Rock and roll lullaby
- Frevo mulher
- Ovelha negra
- Todos estão surdos
- Live and let die
- Pelo interfone
- Twiggy twiggy
- My girl
- Ska
- Love me tender
E mais
- Eu
- Made in Japan
- Sobre o tempo
MÚSICA DE BRINQUEDO
Dias 4 e 5 de setembro, às 16h, no Teatro Dom Silvério, Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi. Show de lançamento do disco. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada, para estudantes). Classificação livre. Informações: (31) 3209-8989.
Dias 4 e 5 de setembro, às 16h, no Teatro Dom Silvério, Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi. Show de lançamento do disco. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada, para estudantes). Classificação livre. Informações: (31) 3209-8989.















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