
Bossa nova é punk. Pelo menos é o que parece para o coletivo musical Nouvelle Vague. Trata-se de um projeto criado por Marc Collin e por Olivier Libaux em 2003. Os dois franceses decidiram reunir uma porção de faixas de quem eram fãs nos 80 - como Joy Division e Depeche Mode - e recriá-las ao estilo bossa nova, com uma interpretação especial, um pouco mais apimentada. O som orginal criado pelo Nouvelle Vague pode ser conferido, nesta quarta-feira (5), às 21 horas, no Grande Teatro do Palácio das Artes, onde o grupo apresenta o repertório de seu terceiro trabalho, “Nouvelle Vague 3” ou “NV 3”. Collin e Libaux trazem para a turnê brasileira (que inclui além de Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo) os belos vocais da belga Helena Nogueira e da brasileira Karina Zeviani, que também canta com o aclamado duo americano, Thievery Corporation.
Chamar o Nouvelle Vague de “banda cover” dá a sensação de reduzir o trabalho do grupo. O projeto pretende ir sempre além, com um ar cool, sofisticado, o que por vezes pode até soar pretensioso. Mas não é não. “O Mark concebeu o projeto, mas percebo que eles (Collin e Libaux) tentaram justamente usar o grandes hits dos anos 80 e fazer uma releitura mais doce, mais feminina, mais elegante, ‘rearmonizando’ as musicas, pegando meninas para cantar que não necessariamente conheciam as canções originais, trazendo um frescor grande para o projeto”, diz Karina Zeviani.
“As bandas que o Nouvelle gravam escreveram musicas incríveis, que ficaram e vão ficar na historia. O Mark teve a grande sacada disso, de embelezar essas musicas”, completa. “O que regravamos são musicas das quais somos fãs desde crianças e a influência da bossa nova é realmente muito grande, a idéia toda nasceu de pegar “Love Tears Apart” (Joy Division) e colocar uma menina brasileira cantando voz e violão na praia de Ipanema uma canção como essa. Não tenho a menor dúvida de que eles realmente apreciam o movimento new wave todo, que cresceram ouvindo e uma vez que ficaram mais velhos e mais maduros, vieram a ouvir a bossa nova “, diz Karina.
Uma das propostas curiosas do coletivo é manter sempre um rodízio de cantoras, e dessa forma manter sempre a releitura das músicas como a principal estrela do NV. Enquanto os álbuns do projeto são recheados com oito vozes femininas, o formato ao vivo traz apenas as duas intérpretes. “Nos discos eles gravam com seis ou oito meninas e depois eles escolhem cinco ou seis que estão sempre em turnê. Como nem todas estão disponíveis para fazer todos os shows, eles precisam trocar as cantoras. Eu e Helena (Nogueira) viemos pra cá porque a primeira turnê que fizemos foi nos EUA e Canadá, em janeiro desse ano, e a nossa parceria deu super certo. E não é sempre garantido que as meninas vão se dar bem, então eles escolhem continuar com as parcerias que dão certo”, conta Karina. “Eu, como brasileira e a Helena como filha de uma portuguesa, organizamos de uma forma mais sensata um conjunto para vir ao Brasil”.
Marc Collin, assim como Alex Gopher ou Daft Punk, está entre os artistas que, no fim dos anos 1990, fizeram parte da “cena de Versailles”, no movimento de música eletrônica francesa chamado “French Touch”, que teve repercussão mundial com artistas como Air ou Étienne de Crécy, entre outros. Além do projeto Nouvelle Vague, Collin tem outras produções muito interessantes que remetem a influências pop e jazz, e escreve também trilhas de filmes.
Os dois primeiros álbuns da banda – “Nouvelle Vague” e “Bande à Part” - foram sucesso absoluto na Europa, vendendo juntos mais de meio milhão de cópias e conta com a participação especial de músicos oriundos de bandas cujas músicas constituem o repertório do novo trabalho. As canções são embaladas também por toques de blues e ska. São versões de Joy Division, New Order, Dead Kennedys, The Clash, The Understones, entre outros. Para o deleite dos fãs, no repertório do show no Palácio das Artes estão garantidas faixas do terceiro disco, como “Road to Nowhere”, do Talking Heads e “God Save the Queen”, dos Sex Pistols, além de sucessos dos discos anteriores.
Apesar do repertório oitentista do Nouvelle Vague, o projeto coleciona fãs que mal haviam nascido quando as músicas foram originalmente lançadas. “Uma galera jovem, de cabeça aberta”, assim Karina tenta definir o público do NV. “Por incrível que pareça, até alguns adolescentes e gente, inclusive, que até hoje não conhece as versões originais das musicas”, diz. E arrisca: “Acredito que seja uma faixa etária entre 20 e 45 anos, gente descolada”.















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