Pato Fu lança o novo CD “Música de Brinquedo”
No Teatro Dom Silvério
“E se gravássemos um disco inteiro só usando instrumentos de brinquedo?”. A resposta para essa pergunta-chave está no show que a banda Pato Fu vai apresentar no mês de setembro, dias 04 (sábado) e 05 (domingo) às 16h, no lançamento do CD “Música de Brinquedo”, no Teatro Dom Silvério.
Além das releituras de sonoridade inusitada dos clássicos nacionais e internacionais, o Pato Fu terá como convidados especiais em toda a turnê, dois bonecos monstros (e cantores!) do Grupo Giramundo.
Música de Brinquedo - Por John Ulhoa
E se…?
O Pato Fu sempre levou a sério essa pergunta e sempre pagou pra ver. Dessa vez a pergunta foi: e se gravássemos um disco inteiro só usando instrumentos de brinquedo? Não um disco de música infantil, mas um disco de música “normal” filtrada por essa sonoridade.
A ideia pareceria absurda há poucos anos. No entanto, desde o CD Daqui Pro Futuro (2007) começamos a flertar com sons de caixinhas de música, realejos, pianos de brinquedo… Em algumas de minhas produções recentes usei muitos desses instrumentos, muitos comprados como presente à nossa (minha e de Fernanda) filha de 6 anos, mas que acabavam invariavelmente na frente de um microfone na sala de gravação do estúdio que temos em casa.
E tinha mais. Quase todos nós – e os amigos próximos – viramos papais e mamães nos últimos anos. A temática infantil passou a nos comover. Ao mesmo tempo, sentimos que seríamos capazes de fazer algo para pais e filhos que tivesse uma das características que mais gostamos na música: terem duas (ou mais) camadas de entendimento, um “Muppet Show” de carne, osso e música, diversão para os adultos, sem aborrecimento pros pequenos, e vice-versa.
Decidimos então gravar uma primeira música como um teste. Essa foi “Primavera”. Ficamos muito empolgados, parecia algo do tipo “por que não pensamos nisso antes!?”. Registramos em vídeo o processo, fizemos uma rápida edição pra mostrar pra alguns amigos. O efeito “sorriso estampado” que tínhamos na nossa cara apareceu instantaneamente na face das outras pessoas também. Chegamos à conclusão que não estávamos ficando loucos.
Isso faz mais de um ano, foi no começo de 2009. De lá pra cá, muito trabalho – e diversão. Um projeto como esse é mais complicado que um disco comum. A começar pelos próprios instrumentos. Não só são mais difíceis de se tocar, mas também de se encontrar. Nem todos os instrumentos de brinquedo são “tocáveis” e separar as tranqueiras das verdadeiras jóias é uma empreitada e tanto. Bastante pesquisa foi feita em lojas, oficinas artesanais e sites. Eu, por exemplo, em qualquer viagem que fiz nesse período, voltava com a mala cheia de cornetas de plástico, tecladinhos eletrônicos baratos e qualquer tipo de traquitana que pudesse fazer um som e tivesse um apelo infantil.
Outro fator estranho ao nosso método habitual de fazer discos foi o repertório. Estamos acostumados a ir juntando material inédito, novas composições, letras, melodias soltas ao longo de uma turnê, pra gerar um disco novo ao final. Isso nunca parou, e de fato temos um tanto de material que poderia ser justamente o ponto de partida para um novo álbum de inéditas (não, não estamos em crise criativa, antes que alguém pergunte…). Mas esses arranjos de brinquedo teriam um efeito muito mais potente se aplicados a canções conhecidas. Aí é que estava a graça, que ficou muito clara quando fizemos “Primavera”: colar essa sonoridade em clássicos do pop, recriar todas as frases melódicas de músicas que não fossem só conhecidas, mas que tivessem arranjos emblemáticos. O que procuramos é o prazer de ouvir velhas canções adultas em seus arranjos originais, tirados praticamente nota por nota, só que com instrumentos de brinquedo. E assim fizemos. Descobrimos quais seriam estas canções. Foi mais difícil do que a gente pensava. Eram muitos os pré-requisitos que as candidatas tinham que trazer. Mas estão aí, e estamos muito orgulhosos de como ficaram ao final.
Por último, o elemento surpresa: a participação das crianças cantando nas músicas do CD. Bem, nunca se sabe o que uma criança vai fazer. Às vezes ela não faz o que você quer. E às vezes o que ela faz é muito melhor do que o que você queria. Não queríamos aquela sonoridade “coral de crianças”, e sim pequenas participações, marcantes e carregadas da inocência e desafinação pura de espírito que só as crianças conseguem. Acho que conseguimos, e foi um aprendizado e tanto.
E sim, o disco foi todo gravado com instrumentos de brinquedo ou miniaturas. Também foram utilizados instrumentos ligados à musicalização infantil como flauta, xilofone, kalimba e escaleta. Um cavaquinho foi usado como violão folk e também como baixo. O piano de brinquedo, o glockenspiel de latão e o kazoo de plástico foram os reis do pedaço. Um tecladinho-calculadora Casio VL1 fez a alegria das crianças na faixa dos 40 aqui. Qualquer brinquedo valeu, seja de madeira, pelúcia ou eletrônico. Em uma ou outra raríssima ocasião, sampleamos o brinquedo para que fosse mais fácil (na verdade o certo seria dizer “possível”) tocá-lo com alguma eficiência. E chegamos ao ponto de usar um reverb de mola de brinquedo para processar alguns sons. Tudo está gravado com suas imperfeições, afinação duvidosa e barulho de articulação de peças móveis. Se você prestar atenção – como um adulto – vai perceber. Ou apenas se divirta – como uma criança.
Foi um prazer fazer esse disco, esperamos que sintam o mesmo ao ouví-lo.
Música de Brinquedo – Repertório
É Primavera, te amo! O vozeirão de Tim Maia dá lugar a um coro de crianças e sons de kazoo, sax de plástico e outras tranqueiras infantis. Sonífera Ilha, dos Titãs, desperta nossos olhos com brinquedos eletrônicos e nos enche de luz. And she’d sing sha-na-na-na-na, na-na-na-na it’ll be all right.... Rock And Roll Lullaby vem embalado pelo metalofone.
Quantos aqui ouvem os olhos eram de fé: Frevo Mulher (Zé Ramalho) sacode no “Drawdio”, no lugar da sanfona. O pianinho de brinquedo leva uma vida sossegada, gosta de sombra e água fresca em Ovelha Negra, de Rita Lee.
Em Todos estão Surdos! impera a metaleira de plástico, no clássico dos gênios Roberto Carlos/Erasmo Carlos. Bond, James Bond, revela a aventura de Live And Let Die: uma orquestra de camadas de brinquedos. E Pelo Interfone (Ritchie/Bernardo Vilhena) ganha um bongô cheio de luzinhas reproduzindo o ritmo original. Twiggy Twiggy, do Pizzicato Five, influência declarada da banda, ganha uma quantidade enorme de brinquedos pra recriar o clima de colagem sonora do original.
Em My Girl (Smokey Robinson/Ronald White), a orquestrinha de Casiotone VL1 é parte do charme. O kazoo impera em Ska, dos Paralamas do Sucesso. Love Me Tender, é a campeã mundial de canções de ninar, com bateria de caixa de fósforos. Ainda na lista do show algumas das mais conhecidas músicas do Pato Fu como Sobre o tempo, Made in Japan e outras.
Serviço
Pato Fu – Música de Brinquedo
Dias 04/09 e 05/09. Sábado e Domingo, às 16h.
Teatro Dom Silvério – Av. Senhora do Carmo, 230 - Savassi
R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes)
Informações: (31) 3209-8989
Classificação Livre para todos os públicos.
Informações para a imprensa
Noir Comunicação Total
(31) 3297-1014 / (31) 2512-8013
www.noir.com.br















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